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At a time of generalized globalization, which generates more and more miscegenation at almost every level of our existence, cultural frontiers also tend to fade substantially. This has motivated a growing reaction to defend several unique cultural heritages, considered exceptional, identifying elements with irreplaceable value from societies and collectivities that created them. However, this same globalization that began centuries ago with trade, technology, culture, politics and military exchanges between different people, increasing progressively its intensity until the present, became itself originator of a heritage created exactly in the meeting of cultures. This new transcultural heritage (or hybrid heritage) presents a whole range of different complexities that could make the safeguarding and preservation for the coming generations complicated.

Among the vast cultural heritage resulting from fusions and re-appropriations between different cultures, architectural heritage stands out as one of the most visible and tangible signs of any culture: cities, temples, fortifications, public works or merely common houses, among many other built structures. Many times in history this “crossbred heritage” was deliberately abandoned or destroyed because of negative symbolisms associated to it, but also obliterated or distorted because of functional or ideological reasons, or simply by ignorance from whoever tried to protect it.

Whatever are the causes, the fact is that transcultural architectural heritage, created in the conjugation of cultures, still is endangered nowadays, and problems concerning on its patrimonial preservation continue to be more relevant than ever. This is also due to globalization, which imposes new conditionings and contextualization, demanding new ways to deal with them.

As a matter of fact, questions concerning the safeguarding of this kind of heritage involve a vast set of themes: the intense polemic about the preservation of architectural structures, the memory of which can allude symbolically to cultures considered as oppressors; the debate on authenticity, generated by confrontations between patrimonial values coming from cultures involved in the creation of each particular transcultural heritage – which could differ substantially, and therefore should be taken into consideration in the moment it is decided how to act to preserve that heritage –; the problematic related to migratory fluxes; the ideological instrumentalisation of architectural heritage; the touristic commercialization of cultural monuments; and several other related themes demanding further debate on them.

There is an ambition to encourage the dialogue about this matter, which assumed particular relevance for the world heritage panorama. It aims to stimulate the knowledge of paradigmatic cases, the interchange of experiences, the exposure of problems and solutions, and the increase of potential collaborations that can be helpful instruments for the safeguarding of unique transcultural heritages, many times ignobly vandalized, unwisely neglected, irretrievably adulterated or harmfully over-exploited.

Hence, all the concerned community is invited to participate in the International Congress Preserving transcultural heritage: your way or my way?, opened to academic scholars and specialist technicians, to policy makers and to all of society. The congress will take place in Lisbon, between 05 and 08 July 2017, with the organisation of the ARTIS – Institute of Art History, School of Arts and Humanities of the University of Lisbon and the ICOMOS Portugal. All the researchers, specialists and other stakeholders are invited to participate in this event.



Numa época de globalização generalizada, a qual gera uma cada vez maior miscigenação a praticamente todos os níveis na nossa existência, também as fronteiras culturais tendem a esbater-se substancialmente, o que tem motivado uma crescente reacção em prol da defesa dos vários patrimónios culturais singulares, considerados elementos identificativos únicos de insubstituível valor das sociedades e colectividades que os criaram. Porém, essa mesma globalização, iniciada há séculos atrás mediante os vários intercâmbios comerciais, tecnológicos, culturais, políticos ou bélicos entre distintos povos, que progressivamente foram aumentando a sua intensidade até aos nossos dias, acabou por ser ela própria originadora de um património criado precisamente no âmbito do encontro das diversas culturas. Este património transcultural novo (ou híbrido, de algum modo) apresenta todo um conjunto de diferentes complexidades que obstam em maior ou menor grau à sua salvaguarda e preservação para as gerações vindouras.

Entre a vasta herança cultural resultante de fusões e reapropriações entre culturas distintas, destaca-se o património arquitectónico, um dos signos físicos mais visíveis e palpáveis de qualquer cultura: cidades, templos, fortificações, obras públicas ou meras habitações privadas, entre tantas outras estruturas edificadas. Em muitos casos, ao longo da sua história, esse “património mestiço” tem sido alvo de abandono ou destruição deliberada pelos simbolismos negativos que lhe estão associados, mas também obliterado ou deturpado por razões funcionais, ideológicas ou simplesmente pela ignorância de quem o quer proteger.

Sejam quais forem as causas, o facto é que o património arquitectónico transcultural, criado na conjugação de culturas, continua ameaçado na actualidade, e as problemáticas relacionadas com a sua preservação patrimonial continuam mais pertinentes que nunca, fruto também da própria globalização, que impõe novas condicionantes e novas contextualizações com as quais é imperioso saber-se lidar.

De facto, as questões ligadas à salvaguarda deste tipo de património abrangem um vasto leque de temas, que vão desde a intensa polémica sobre a preservação de estruturas arquitectónicas cuja memória poderá simbolicamente aludir a culturas consideradas opressoras, até ao debate acerca da autenticidade, gerado pelo confronto entre os valores patrimoniais próprios de cada uma das culturas que criaram esse património – que poderão divergir substancialmente entre si e que por isso terão de ser tidos em conta no momento de tomar decisões relativamente às intervenções de salvaguarda patrimonial –, passando pelas problemáticas associadas aos fluxos migratórios, à instrumentalização ideológica, à mercantilização turística, e a outros temas relacionados, cujo debate urge incrementar.

Nesse sentido, ambiciona-se incentivar o debate nesta matéria de particular relevo para o panorama patrimonial mundial, fomentando o conhecimento de casos paradigmáticos, a troca de experiências, a exposição de problemáticas e soluções, e o incremento de eventuais colaborações, que possam ser instrumentos úteis para a salvaguarda deste património transcultural único, muitas vezes ignobilmente vandalizado, imprudentemente desprezado, irremediavelmente adulterado ou prejudicialmente sobre-explorado.

Assim, convida-se toda a comunidade interessada para participar no Congresso Internacional Preserving transcultural heritage: your way or my way?, aberto a especialistas académicos e técnicos, a decisores políticos e à sociedade em geral. O congresso terá lugar em Lisboa, entre 05 e 08 de Julho de 2017, com organização do ARTIS – Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e o ICOMOS Portugal. Todos os investigadores, especialistas e outros interessados nesta temática são convidados a participar neste evento. 

 

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